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Marketing Digital
03 de junho de 2018

Social bots e Think tanks

Cuidado ao ler! Cuidado ao ler!

As redes sociais hoje – são a televisão dos anos 90, quem viveu sabe e vai lembrar de quando você ligava a sua antiga televisão de tubo e surfava entre os sinais VHF e UHF sem qualquer autonomia para escolher a hora, a forma e o conteúdo oferecido.

A realidade da época era assim: quatro ou cinco canais de televisão detinham a exclusividade na distribuição do conteúdo, do entretenimento e consequentemente da formação da opinião para cerca de 99% da população brasileira. Basicamente significa dizer que estas poucas empresas concentravam, em suas mãos, o poder de construir suas próprias verdades, mitos, ídolos, fantasias, cultura, moral e comportamento.

Já aqui no século 21, a promessa da internet livre, o marco civil, a pluralidade, a conectividade, os multicanais, a proliferação e a democratização do acesso ao conteúdo, permitindo que se busque e se pesquise informação e conteúdo livremente (ou quase livremente) nos dá a falsa sensação de onisciência sobre tudo o que acontece no mundo, dos seus desdobramentos, das causas e consequências. Em parte o é, por outro lado, para a grande maioria dos internautas, a internet atualmente se reduz a pouquíssimos canais de consumo de conteúdo, informações e opinião.

Na era digital, nossa forma de pensar e de viver está sob uma influência muito forte de algumas poucas empresas de tecnologia. O Google nos mantém informados e a Apple nos entretém; socializamos no Facebook e compramos na Amazon.

Para a grande maioria dos internautas brasileiros, a internet, se resume às redes sociais. O Facebook, por exemplo, desde o seu surgimento em 2004 vem ganhando proporções assustadoras e a cada dia uma multidão de novos usuários vive, praticamente, dentro dele. É aí que a história começa a se tornar perigosa:

E não estamos falando sobre os perigos da exposição, dos vírus, dos hackers, dos haters ou dos spams comerciais aos quais você pode se tornar alvo. Este é outro assunto!

Quando grande parte dos internautas brasileiros passa a ter, quase que exclusivamente, numa ou outra rede social a sua referência para acesso à informação, aos conteúdos e consequentemente à formação da sua opinião própria sobre de determinados assuntos, eles encontram-se incrivelmente vulneráveis. Propensos a reproduzir opniões alheias, e a perceber o mundo, quase que unicamente, pelo prisma e ótica dos poucos emissores. O indivíduo torna-se refém desta escassez, apesar de toda a diversidade disponível na rede.

Todo este cenário levanta questões fundamentais a serem feitas sobre o futuro da nossa cultura e democracia. Empresas que detêm um volume imenso e valioso de dados a nosso respeito. As empresas usam essa montanha extraordinária de informações a nosso respeito para alterar nosso comportamento. São inúmeras as conveniências que acompanham tudo isso, mas há também perguntas importantes que essas empresas precisam responder. o risco desse monopólio mundial é a imposição de um pensamento único, superficial e quase sempre alheio à realidade dos internautas.

55% dos brasileiros consideram que não há nada na internet além do Facebook; para eles, o Facebook e a internet são a mesma coisa.

É isso que indica uma pesquisa da Quartz divulgada como parte do relatório “Internet Health Report v0.1“.

Na era das plataformas, a vantagem das gigantes é a quantidade enorme de dados que elas têm sobre seus usuários. É esse o ponto que precisa ser cuidado.

“Algoritmos podem nos reduzir à conformidade ao criarem uma cultura onde não há reflexão, pensamento autônomo ou introspecção solitária”

Se você leu até aqui e concordou, ao menos em parte, com o cenário desenhado, então é hora de adicionarmos os outros ingredientes da receita. E antes de falarmos nos Social Botse nos Think Tanks, vamos entender o que é a Janela de Overton.

Janela de Overton

Janela de Overton é uma teoria criada por Joseph P. Overton na qual sugere a existência de um espectro de ideias aceitáveis, indo, de uma ponta à outra, entre “Totalmente Favorável” até a “Totalmente Desfavorável”.

É um modelo para demonstrar como um pequeno grupo de formadores de opinião pode mudar intencional e gradualmente a opinião pública.

Os assuntos que são debatidos pela sociedade (a opinião pública) são os que estão dentro da “janela de Overton”. Porém, os assuntos que a sociedade considera muito radicais, estão fora desta janela e não serão discutidos no momento.

 

Para certos assuntos serem pautados, aceitos ou negados é preciso que grupos influenciem a janela, tentando move-la para um dos lados. Para que haja o deslocamento da Janela de Overton para posições que sejam de interesse de determinados grupos é necessário um esforço altamente profissional e consistente.

Essas manipulações podem ser feitas de diversas maneiras nas mais diferentes frentes, desde propagandas de rádio e TV, publicidade convencional, institutos de pesquisas, agências de lobby até grupos de Think Tank. Mas é na internet, com poder de influência muito maior, que se consegue impactar de forma assombrosa o público-alvo, por meio, principalmente, das redes sociais.

Por exemplo, sem o conhecimento sobre como verificar fontes na internet, alguns grupos de pessoas podem se tornar mais vulneráveis para notícias falsas e rumores com efeitos negativos para a sociedade.

Cada vez mais, a própria visão do mundo é refletida na rede, mas nenhum confronto ocorre com a opinião do leitor. Estamos falando sobre as chamadas “bolhas de filtro”, porque em tais câmaras ecoa particularmente alto, o que corresponde às suas próprias opiniões, atitudes e preconceitos.

Think Tanks:

O conceito de think tank faz referência às instituições, ONGs e associações dedicadas a produzir e difundir conhecimentos sobre assuntos relevantes e de interesse público – sejam eles políticos, econômicos ou científicos. Por exemplo, A Fundação Getulio Vargas está entre os 10 melhores think tanks do mundo, de acordo com um ranking divulgado pela Universidade da Pensilvânia. Global Go To Think Tank Index

A grande maioria dos think tanks são organizações que conduzem pesquisas independentes, produzem conteúdos ricos e engajamento em temas críticos. Elaboram projetos para áreas da tecnologia, políticas públicas, econômicas e sociais, política externa, negócios etc. É a mistura entre pesquisa, defesa e difusão de ideias que faz com que essas instituições sejam uma ponte entre conhecimento e poder, influenciando transformações sociais.

“Seu principal benefício, a rigor, é enriquecer o debate público a partir dessa oferta de expertise objetiva e evidenciada”

O próprio google tem um think tank, chamado de “Google Ideas” do Alphabet criado em 2011.

Social Bots:

 

Os social bots são as ferramentas que podem ser utilizadas pelos Think Tanks. Dispositivos ou programas que agem de maneira autônoma, porém, ao invés de gerarem likes inofensivos, o objetivo de alguns bots é influenciar grupos, comunidades e indivíduos. E existe uma chance real de você já ter encontrado um deles por aí e não ter percebido. Pode até ter tentado debater e confrontar ideias – provavelmente sem sucesso. A verdade é que, disfarçados de pessoas, eles estão à solta.

A manipulação da janela de Overton ocorre por meio do debate público de ideias, e por isso é sempre importante estarmos nos questionando sobre nossas verdades absolutas, e como chegamos até estas conclusões. Os social bots podem criar conteúdo e interagirem com outros usuários dentro de redes sociais como o Facebook e o Twitter. Podem inflar os números de curtidas e seguidores de uma figura pública ou até mesmo de uma causa, dando a sensação de um apoio que não existe.

As estimativas assumem 100 milhões de contas falsas nas grandes plataformas. Até 20% de todas as contas do Twitter são atribuídas a bots sociais. O poder resultante da manipulação é tão grande que questiona fundamentalmente a integridade das mídias sociais, especialmente porque não consegue tornar o volume de mensagens transparente e circunscrito.

“A maioria das pessoas ainda não entende como a internet funciona em um nível básico”

O projeto de pesquisa Political Bots, da Universidade de Oxford, provou que mais de 30% de todos os tweets pró-Trump e 20% dos tweets pró-Clinton após o primeiro debate televisivo entre os candidatos à presidência dos Estados Unidos vieram de máquinas como essas, programadas para gerar opinião. Os bots também foram utilizados durante os debates sobre a questão do Brexit, no Reino Unido.

Claro que, na esteira de todas estas revoluções, muitas mudanças serão positivas e irrefreáveis. Por exemplo, os Bots remodelarão a forma como os ambientes de trabalho operam e agilizam tarefas administrativas, desde o simples agendamento de reuniões até tarefas mais complicadas, como suporte de TI. Com base em conversas personalizadas entre a marca e seus clientes, os bots podem se comunicar com os clientes, gerar interesse e conscientização em produtos e serviços e ajudar os clientes a concluir as compras sugerindo opções de entrega.

A maioria dos cidadãos não restringirá o uso das redes sociais e não buscará espontaneamente lidar com as contra-opiniões. O Estado, por outro lado, não restringirá o poder das corporações na internet nem estabelecerá regras consistentes.

Na soma geral dos insights lançados por aqui resta sabermos que isso pode ser amenizado, em certo grau, se repensarmos o nosso comportamento de comunicação digital. E claro, a crescente influência de estratégias de social bots, think tanks, big data, entre outras tantas estará cada vez mais presente. É uma das facetas da revolução digital, uma força já está transformando o mundo e as nossas realidades.

SOBRE O AUTOR

Jéssica

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